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Festa em Honra do Mártir S. Paio

Celebra-se esta Festa na Capela de S. Paio, no Lugar de Carreço. Em tempos não muito recuados, fazia-se a festa em honra de S. Paio no segundo Domingo de Janeiro. Embora o dia litúrgico de São Paio seja o 26 de Junho, actualmente a Festa é realizada no último fim-de-semana de Maio ou no primeiro fim-de-semana de Junho: a causa desta variação é o facto de se colocar a festa de modo a não coincidir com as Festas em honra de Nossa Senhora da Cabeça, em Freixieiro de Soutelo, festas muito concorridas por paroquianos de Carreço.
A parte religiosa da festa consta de novena e procissão de velas no Sábado, e Missa cantada, sermão e Procissão da Igreja paroquial para a Capela já no Domingo.
A Comissão consta de Tesoureiro, Juiz, Juiza, Zeladora da Capela e diversos mordomos. A Festa termina com a romagem à volta da Capela, como forma de agradecer as graças concedidas por intercessão de S. Paio, nomeadamente a realização da Festa.
Esta Festa teve alguns anos sem ser realizada, mas actualmente já se festeja de novo com grande devoção ao Santo.
Veja algumas fotografias desta Festa:

 

SÃO PELÁGIO ou São Paio, Menino, mártir. 26 de Junho
Lat.: Pelagius. Fr. Arc.: Pelay. Fr.: Pélage de Cordoue. Port. : Pelágio, Paio, Sampaio.
Também conhecido como Pelayo de Córdova. Com 10 anos de idade, foi tomado por refém do rei mouro que libertou o seu tio, bispo de Tui, e outros soldados cristãos, vencidos, no Vale de Junquera, em troca de outros sarracenos e pagamento em dinheiro. Foi torturado, esquartejado e, finalmente degolado, em 825 (com 13 anos).
Por vezes, se confunde com Pelágio de Constança (Pelagius constantinus), Pelagius von Konstanz, mártir da Ístria, decapitado em 283, cujas relíquias foram trasladadas para Constança, parte das quais se guardam no mosteiro de Reichenau, junto do lago Bodensee. É o patrono da diocese e catedral de Constança, associado a S. Conrado. Este representa‐se com a espada e a palma. Século XV: Tímpano do portal norte da Catedral de Constança (Alemanha).
Trata‐se de um menino galego que foi martirizado em Córdova, sendo rei Abderramão III, por guardar a Fé em Jesus Cristo e a sua castidade. Isto escreveu um clérigo de Córdova, chamado Raguel, ao que parece, testemunha ocular.
Tendo o rei Abderramão declarado guerra feroz aos cristãos, no ano de novecentos e vinte e um, no vale de Junquera e tendo vencido, muitos cristãos foram mortos e muitos outros cativos. Entre eles, o bispo de Tui, chamado Hermógio (ou Hermígio), foi levado para Córdova e lançado no cárcere, com duras prisões. O bispo prometeu dar, em resgate, alguns mouros que estavam em seu poder e, enquanto os enviava ao rei, deixava alguns reféns. Entre eles um menino, seu sobrinho, de dez anos que se chamava Pelágio. O rei concordou e o bispo saiu do cárcere e, no seu lugar, ficou o menino.
O menino era muito formoso, quanto modesto. O Senhor que já o tinha escolhido para ser mártir, favoreceu‐o de tal modo no cárcere que essa tribulação foi para ele um exercício na virtude e nela se afinou, como o ouro no crisol. Era muito honesto, assisado, sossegado e prudente. Dedicado à oração, lia os livros santos, exercitava a virtude, afastava‐se das palavras e conversas vãs, do riso vulgar e da zombaria, da dissolução, enfim, mais que um menino, parecia homem maduro, no sensatez e maturidade. Assim esteve o menino na prisão, durante três anos e meio, preparando‐se para que Deus lhe concedesse a graça que lhe havia de fazer, dando‐lhe a coroa e a palma de mártir.
Estando o rei a comer, um criado, certo dia, exaltou a rara e admirável beleza do menino Pelágio. Então, o rei ordenou que o tirassem, imediatamente, da prisão, onde estava agrilhoado, e o trouxessem à sua presença e vista. Tiraram‐no da prisão e vestiram‐no ricamente, falando‐lhe da boa sorte que lhe coubera, e puseram‐no diante do rei. O rei, como era não menos torpe que infiel, ao vê‐lo, ficou cego com o esplendor da sua formosura e começou a oferecer‐lhe honras, riquezas e outros dons e dignidades para ele e para os seus, se deixasse de ser cristão e seguisse a lei do grande profeta Maomé. O santo menino, com muita presença, respondeu: «Tudo o que, ó rei muito poderoso, me prometes, não é nada. Eu sou cristão e sê‐lo‐ei, como tenho sido, sem nunca negar a Jesus Cristo. Pois que tudo o que me ofereces é caduco, frágil e momentâneo. Mas Jesus Cristo, meu Deus e meu Senhor, que criou todas as coisas e as mantém com as suas mãos, é eterno e não tem fim».
Quis o rei aproximar‐se do menino, para afagá‐lo e tocar‐lhe com desonestidade. Pelágio, não como menino, mas como varão resoluto, censurou‐o: «Afasta, cão, o teu rosto. Julgas que sou como os teus efeminados?» Dito isto, rasgou a rica roupa com que fora vestido e lançou‐a para longe, a fim de estar mais desenvolto para a luta e combate que esperava, e morrer, se fosse necessário, por Jesus Cristo.
Apesar disso, ao rei que estava tão preso e abrasado de paixão, aquelas palavras do menino Pelágio e o seu gesto, nada o influenciaram para que desistisse do seu malicioso intento. Ordenou aos criados que, com carícias e meiguices, procurassem persuadi‐lo a deixar de ser cristão e se entregasse docemente aos seus depravados desejos.
Mas, como o rei visse que com ele perdia tempo, porque Pelágio era firme e vigoroso no seu propósito, aquela inclinação que alimentava por ele, transformou‐se em ódio e aquela meiguice em raiva e furor e, assanhado, com olhos que cintilavam e lançavam chamas, mandou‐o imediatamente dependurá‐lo no patíbulo e soltá‐lo várias vezes até que a sua vida se dissipasse ou ele deixasse de confessar Jesus Cristo como Deus. Logo se executou o que o rei mandara, com muita crueldade. O santo menino estava com um semblante celeste, sem mostrar fraqueza, preparado para padecer outros tormentos maiores que lhe quisessem dar.
O rei percebeu isto e, então, a sua fúria infernal tornou‐se maior. Por isso, ordenou que lhe cortassem todos os seus membros, um a um e, depois de morto, o lançassem ao rio Guadalquivir. Com isto, os ímpios e cruéis ministros se encarniçaram mais e se atiraram ao santo menino. Um feriu‐lhe um braço, outro encurtou‐lhe as pernas, outros golpearam‐lhe a cabeça e outros divertiam‐se com os variados tormentos que lhe aplicavam. O seu sangue escorria como um rio por todas as partes do bendito corpo. Mas o espírito de Pelágio estava muito sereno e sossegado, como se não fora seu, mas de outro, aquele corpo que padecia.
Invocava Jesus Cristo, suplicando: «Livrai‐me Senhor das mãos dos meus inimigos». Tentando levantar as mãos ao céu, cortaram‐nas os verdugos e, depois, a cabeça. E, com esta morte, entregou o espírito ao Senhor. Por fim, lançaram o santo corpo ao Guadalquivir.
Os cristãos devotos procuraram‐no, encontraram‐no e sepultaram‐no na igreja de S. Genésio (São Gens) e a cabeça, na igreja de S. Cipriano.
O seu martírio deu‐se num domingo, em 26 de Junho de 926. (Segundo Ambrósio de Morales e o cardeal Barónio, em 925, porque foi nesse ano que 26 de Junho caiu num domingo e não no ano 926). O seu tormento durou cerca de seis horas, a partir da uma da tarde. Com ajuda de Deus, S. Pelágio combateu com os duríssimos tormentos e venceu‐os com grande fortaleza de espírito.
O rei D. Sancho, o gordo, filho do rei D. Ramiro II, enviou uma solene embaixada ao rei de Córdova, para tratar da paz e pedir‐lhe o corpo do santo menino Pelágio e obteve‐o. Quem recebeu o corpo foi o rei D. Ramiro III, por morte do pai, e colocou‐o num mosteiro que seu pai tinha edificado para o santo. Depois foi trasladado para Oviedo, a oito de Novembro de 1023, onde se conserva.

Culto
O seu culto foi introduzido no norte de Espanha (em Leão e Oviedo) pelos moçárabes.
Em Santiago de Compostela há um rico mosteiro de beneditinas, sob a sua advocação e uma ermida com o seu nome. Celebra‐se a festa de San Pelayo em muitas igrejas de Espanha e é muito gloriosa e famosa a memória deste mui bendito menino. Há muitas igrejas dedicadas a ele em Castela e mais na Galiza. E em todo o reino dão este nome a muitas crianças. Foi tão
ilustre o seu martírio que se estendeu até à Alemanha. E na província da Saxónia, uma monja
de linhagem e grande engenho e conhecimentos literários, chamada Rosoita, ouvindo um homem de Córdova que assistira ao martírio do santo e lho relatou, pôs essa história do martírio, em verso heróico.

Não podemos esquecer o contexto em que o culto e a devoção a este mártir surgiram e se desenvolveram. Um Condado e um Reino que depois se edificou, na procura da sua identidade e se foi estabelecendo e erguendo no ideal de Cristo. Este ideal, amassado nos princípios cristãos e nas convicções do seguimento de Cristo, foi‐se afirmando cada vez mais de norte para sul, não apenas para defesa das suas terras e bens, mas como entidade própria e espírito de missão chegando além de si próprio. Depois da casa arrumada e como país independente, lançou‐se ao resto do mundo desconhecido para levar Cristo e “dar novos mundos ao mundo”. E quando titubeou, deixando‐se arrastar por outras falas e sons, apequenou‐se‐lhe a alma. Como se observa, pela breve legenda, o combate relevante é sempre interior! A nosso ver, o condão de S. Paio foi alimentar a alma das crianças e dos jovens para o ideal de Cristo, sempre actual. Este é um elemento essencial em todos os contextos e circunstâncias.
Representação e atributos
É representado como menino com uma coroa e uma palma em cada mão (ou com a coroa na cabeça e palma na mão) ou, ainda, com palma e espada (confundindo‐se com o seu homónimo constantino, só se distinguindo pela figura de menino). Por vezes, aparece cum um cutelo ao pescoço. Finalmente, um menino com a palma do martírio.
Século XII: Baixo‐relevo na fachada da igreja de Santo Isidoro de Leão. – Estátua proveniente da Igreja de Santo Isidoro. Museu de Leão.
O martirológio romano faz menção de S. Pelágio, em 26 de Junho. Acrescenta que com tenazes de ferro lhe foram despedaçando todos os membros. E nos santorais antigos, especialmente o de S. Pedro de Cerdeña e da Catedral de Toledo e da de Tui se relata a sua história. Em Tui têm como seguro, por tradição oral, que foi natural daquela cidade.
Grande glória é a de Deus que assim triunfa nas crianças de todo o poder do inferno e mostra com grande prova e testemunho a verdade da nossa santa religião. Pela mão de David cortou a cabeça do orgulhoso gigante, pela mão de Pelágio, venceu Satanás. E para grande vergonha dos tíbios que não correm atrás dos fervorosos e dos homens que se deixam vencer pelas crianças.

Padre Pedro de Rivadeneyra, Flos sanctorum, t. II, pp. 264‐266, Barcelona 1790
Louis Réau, Iconografia del arte cristiano, t. 2, vol. 5, ed. del Serval, pp. 80‐81, Barcelona 2002
Tradução, adaptação e comentários de M.A.

 

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2019

Domingo, 30 de Junho: 11h30, Missa Solene e Sermão em Honra a São Paio.

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andor de S. Paio

 


 

 

Festa em Honra do Glorioso Mártir São Paio, celebra-se no dia 26 de Junho de cada ano ou então, no domingo seguinte a este dia.

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