114º Aniversário da Sociedade de Instrução e Recreio de Carreço

SIRC 2017A Sociedade de Instrução e Recreio de Carreço, Instituição de Utilidade Pública e de Mérito Cultural, assinalará na próxima terça-feira, dia 01 de Agosto de 2017, o seu 114º aniversário!

São 114 anos de muita vida, cheios de recordações, memórias da mais antiga associação desta freguesia e uma das mais antigas do concelho de Viana do Castelo, o que significa um marco cultural para toda a população desta localidade.

Que a Sociedade de Instrução e Recreio de Carreço se mantenha por muitos e longos anos, a proporcionar à  freguesia de Carreço momentos de cultura, conhecimento, desporto e recreio como foi sempre o seu lema.

Do programa comemorativo a ter lugar no domingo, dia 06 de Agosto de 2017, consta:

09h00: Missa na Igreja Paroquial em homenagem aos sócios falecidos e romagem ao cemitério.

11h00: Inauguração do novo espaço multiusos e renovação do polidesportivo

13h00: Almoço/convívio no Salão Nobre da SIRC.

15h30: Animação musical

Inscrições até ao dia 03 de Agosto de 2017, quinta-feira.

“Em 1903 é fundada a Sociedade de Instrução e Recreio de Carreço, cuja sede é em casa alugada, sendo proprietário da mesma, a família Vale no lugar de Carreço, no local conhecido por “Laginha”. Na mesma data é também fundada a «Troupe Musical 1º de Agosto». Recuando no tempo, encontramos uma partitura musical com o escrito seguinte: “Associação de Instrução e Música de Carreço - 1895”. Em 1884 o Padre Manuel, mais tarde Reitor até 1910/1911, fundava a Tuna Musical de Carreço e o Grupo Dramático, com actuações públicas nos largos da Estação e do Bica no lugar de Montedor e Campo da Cal, no lugar de Carreço, e em 1895 no Coberto da Casa Grande do Bica no lugar de Montedor. Entretanto, em 1888, no lugar de Paçô, existia um Grupo de Teatro na Casa do Soutela, junto à Casa do Casarão, com récitas e comédias no Coberto do Soutela e Adro de São Sebastião, ensaiada por estucadores com vivências teatrais em Lisboa. É o caso dos Churras, Pita e Persina. Ficou na memória o desempenho do “bonito” por António Joaninha, com 18 anos de idade, vestido de mulher.

O gosto pelo teatro e pela dança, em Carreço, remonta aos anos de 1600, em que o Padre Visitador “proibia que se fizessem récitas ou comédias no adro da Igreja e redondezas como costume antigo, assim como retirar os bancos da Igreja, sob pena e castigo”. No século XIX, na visita do Rei D. Luís a Viana do Castelo, as raparigas e rapazes de Carreço dançaram para o Rei em baile público, na Fabrica do Trigo, junto à Doca, recebendo em troca moedas de ouro e prata, oferecidas pelo Rei. Nos anos 20 do século passado, António Maceiro, da Casa da Pinheira no lugar de Carreço e Manuel da Costa Lima, levaram à cena, já no actual edifício, mais de uma dezena de peças e variedades, devendo-se a Costa Lima a pintura da bandeira e do pano de boca do antigo palco, hoje desaparecido.

Nesta época, as festas escolares, a cargo dos professores, de boa memória, Ema Soares e Afonso da Silva {este exímio tocador de violino da Troupe} foram de grande sucesso.

Nos anos 30, período alto da cultura teatral e musical em Carreço, já com a Troupe extinta, dada a idade avançada dos seus executantes, Carreço entra no ciclo de Revistas, em que uma delas vai à cena 18 vezes. Tem papel importante Manuel Enes e Enes Pereira.

Nos anos 40, aparece o Posto de Assistência Médica, com uma dependência na Sociedade com os médicos Jaime Moreira e mais tarde João Araújo, dando estes consulta semanal para avençados. É de destacar como Directores: Domingos Moreira, Joaquim Moreno e António Afonso Coelho da Silva, este como enfermeiro, com formação militar, em que trabalhava quase diariamente ao longo de 16 anos, prejudicando a sua vida particular, deixando a mulher sozinha na veiga, para prestar assistência gratuita ao povo. Ainda nesta época, é de destacar Delfim Ramos e Damião Franco, como Directores.

Nos anos 40 e 50, Joaquim Enes, o Mirandeiro da Foz, primeiro clarinete na Orquestra Sinfónica do Porto, ensaia actos de variedade, enquanto Manuel Enes ensaia peças de teatro. Concertos pela Orquestra Sinfónica do Porto e Bailes não faltavam até ao romper do dia.

Nos anos 65/68 volta a Carreço Enes Pereira. Este, ensaiava, escrevia e compunha todas as melodias, aliás, com sucesso, ao ponto de se terem feito 21 espectáculos, alguns dos quais com lotação esgotada, sem subsídios. Enes Pereira trabalhando de graça, funda o “Convívio Padre Paço”, ensaia o Rancho Regional, integrado na Sociedade e, numa das Assembleias Gerais, sai magoado com algumas pessoas presentes na mesma. Regressa em 1984, mas a sua morte prematura põe fim a um trabalho de muito valor, reconhecido por todos.

Quanto às obras do edifício da actual Sociedade, as mesmas começaram em 1912 com o dinheiro dos associados, com uma construção rectangular conhecida por “Cabana”. Nos anos 20/30 a sede foi alargada, aos poucos, com trabalho gratuito, de dia e de noite. Nos anos 50 é construído o Bufete. Nos anos 60 o edifício cresceu para sul. Nos anos 60/68 seguiu-se o projecto desta Sociedade e construíram-se mais espaços e o Balcão.

Nos anos 80/90, além de outras obras, construiu-se o polidesportivo e as bancadas do mesmo.

Nos anos seguintes, realizaram obras de manutenção do edifício, como por exemplo, reparação do telhado, pintura exterior e interior, um novo pano de boca do palco, etc. etc.”

{Artigo publicado no Jornal nº 1/2000 da SIRC “Argaço” coordenado por Nuno Reis e colaboração do saudoso Luís Gonçalves e Ernesto do Paço}

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