Transladação dos restos mortais de D. Júlio Tavares Rebimbas | 1º Bispo da Diocese

D. Jlio_Tavares_RebimbasNo âmbito do Ano Jubilar pelos 40 anos da nossa Diocese, que se iniciou no dia 03 de Novembro de 2017 - data exacta da publicação da bula da criação - com a abertura da “Porta Santa da Gratidão” e fim, no dia 04 de Novembro de 2018, irá ter lugar no dia 07 de Janeiro de 2017, domingo, pelas 15h00, as cerimónias da transladação dos restos mortais de D. Júlio Tavares Rebimbas, {um direito que lhe cabe por ter sido o primeiro Bispo da Diocese e que ele, em vida, mostrou desejar usar} da Paróquia de São Mateus do Bunheiro, onde se encontra sepultado em jazigo de família, Arciprestado da Murtosa, Diocese de Aveiro, para a Sé Catedral de Viana do Castelo.

Esta cerimónia decorre no mesmo dia litúrgico da sua entrada na nossa Diocese, a Solenidade da Epifania do Senhor, que, em 1978, se celebrou a 08 de Janeiro.

Os restos mortais de D. Júlio Tavares Rebimbas, serão depositados “num túmulo de mármore branco de Estremoz” instalado numa capela lateral da Sé Catedral que D. Anacleto “mandou erigir para o efeito.

NASCIMENTO DA DIOCESE DO ALTO MINHO

No dia 03 de Novembro de 1977, sua Santidade o Papa Paulo VI, pela Constituição Apostólica Ad aptiorem populi Dei, separando da Arquidiocese de Braga o território que constitui o distrito de Viana, erigiu canonicamente a Diocese de Viana do Castelo.

D. Júlio Tavares Rebimbas, um Pastor bem testado, como Pároco e Vigário Geral, em Aveiro, e, como Bispo, residencial no Algarve, e, até então, Bispo Auxiliar do Patriarcado de Lisboa, com o título de Arcebispo de Mitilene, foi o escolhido para lançar mãos à obra de dar identidade e corpo à nova Igreja local.

Separado o território era necessário executar na prática o documento papal, de acordo com a seu próprio articulado. A Santa Sé encarregou Mons. Ângelo Felici, Núncio Apostólico em Portugal, de levar a cabo a tarefa, tendo o o Bispo eleito de Viana apresentado o Mons. Daniel José Machado Júnior, então, Vigário Episcopal, Arcipreste de Viana do Castelo e Pároco de Monserrate.

Na Constituição Apostólica, o Santo Padre, depois de justificar a criação da nova Diocese – ajudar com melhores auxílios o povo de Deus na sua caminhada eclesial e promover com mais eficácia a acção pastoral a desenvolver no seu meio – e fundamentar a Sua decisão nos pareceres obtidos da Conferência Episcopal Portuguesa e na Nunciatura Apostólica, determinou que é criada a Diocese de Viana, separando da de Braga o território correspondente ao distrito de Viana do Castelo; que a sede episcopal está na cidade de Viana e a igreja de Santa Maria Maior é a Catedral; que a Diocese e o seu Bispo são, respectivamente, sufragâneos da Sé Metropolitana de Braga e do Metropolita Bracarense; que à nova Diocese pertencem, como fonte de receitas, os emolumentos da Cúria, as ofertas livres dos fiéis e, de acordo com o cânon 1 500 do Código Direito Canónico, a parte dos bens que, até agora ligados a Braga, lhe dizem respeito; que seja constituído o Cabido, porém, “entretanto, em lugar dos membros daquele”, se escolham “Consultores Diocesanos que auxiliem o Bispo com o seu conselho e acção”; que para o “regimen” e administração da nova Diocese, bem como para a eleição do Vigário Capitular, direitos e deveres dos fiéis, se observem as leis canónicas; que a construção do Seminário e a educação dos alunos sejam feitos de acordo com os documentos da Santa Sé; que quanto aos Sacerdotes com nomeação anterior, fiquem incardinados na Diocese “em cujo adictos” àquela território detêm benefício ou ofício eclesiástico”; e que os outros Sacerdotes, Clérigos e alunos do Seminário sejam considerados adictos “àquela onde legitimamente vivem”. E acrescenta: “Ordenamos finalmente que todos os documentos e actas de qualquer modo respeitantes à Diocese de Viana do Castelo sejam transferidos pela Cúria Bracarense para a aquela, que os guardará religiosamente no Arquivo”. Por último, prescreve que o executor desta Constituição é o Senhor Núncio Apostólico “ou um sacerdote delegado por ele”, e recorda os seus deveres, manifestando o desejo de “que esta Constituição Apostólica seja e venha a ser eficaz, quer agora quer no futuro, não obstante quaisquer disposições em contrário”.

A criação da Diocese de Viana do Castelo foi acolhida pelos cristãos do Alto Minho, à volta do seu novo Pastor, com estrondosa explosão de alegria e com manifesta e sentida gratidão, em expressões de veneração e comunhão com a Sé de Pedro.

Uma das preocupações do primeiro Bispo de Viana - conhecedor das dificuldades sentidas por ocasião da criação de outras dioceses irmãs -, era que, antes da sua tomada de posse, tudo o que se relacionava com a divisão dos bens, móveis e imóveis, entre as duas dioceses, estivesse ultimado, incluindo a própria casa episcopal. 

Porque em Igreja se vive e trabalha em comunhão, todas as instituições envolventes (Congregação para os Bispos, Nunciatura Apostólica, Arquidiosese de Braga e Diocese de Viana do Castelo) e seus configurantes jurídicos e eclesiais trabalharam de boa fé em verdadeira expressão de comunhão de Igreja, cedendo de parte-a-parte, até chegarem àquilo que fora a proposta despretensiosa, mas razoável, do Bispo de Viana: “ficam a pertencer, em posse plena, à nova Diocese de Viana do Castelo todos os bens que, à data da sua erecção canónica, estejam na posse ou no uso da Arquidiocese de Braga, da Mitra de Braga, ou dos Seminários de Braga, ou de outras Instituições Arquidiocesanas e fiquem situados dentro dos limites da nova Diocese de Viana do Castelo”. 

Assim aconteceu. Depois de uma fecunda correspondência epistolar, algumas outras propostas alternativas, muita reflexão e alguns recursos, a Nunciatura Apostólica, em 24/07/1978, e a Arquidiocese de Braga, em 02/08/1978, informavam o Senhor D. Júlio Tavares Rebimbas acerca da aceitação definitiva da sua proposta e da autorização da Santa Sé, para outorgarem as respectivas escrituras.

A entrada solene e tomada de posse do primeiro Bispo da nova Diocese ocorreram no dia 08 de Janeiro de 1978.

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