Novembro: Mês das Almas

mes das_almas_2018Desde o século IV a Igreja da Síria consagrava um dia para festejar “Todos os Mártires”. Três séculos mais tarde o Papa Bonifácio IV (†615) dedicou a “Todos os Santos” o panteão romano. Com o passar dos séculos passou a celebrar-se a solenidade de “Todos os Santos” no dia 1 de novembro. Como festa grande, esta também ganhou a sua celebração vespertina ou vigília, que prepara a festa no dia anterior (31 de outubro). Na tradução para o inglês, essa vigília era chamada All Hallow’s Eve {Vigília de Todos os Santos}, passando depois pelas formas All Hallowed Eve e “All Hallow Een”, até chegar à palavra atual “Halloween”.

Texto: Paulo Emanuel Martins Dias a}

A celebração do 31 de Outubro vem sendo ultimamente promovida por diversos grupos “neo pagãos”, e em alguns casos assume até mesmo o caráter de celebração satânica e ocultista. No cinema, Hollywood contribui para isso com vários filmes ao longo das últimas décadas. 

A ligação desta “festa” com o mal e com o ocultismo comprova-se também pelo fato de que na noite do 31 de outubro se realizam em muitos lugares missas negras e outras reuniões deste tipo.

O dia 1 de Novembro inicia o “Mês das Almas”, tão devotamente vivido em tantas Comunidades Paroquiais, com as visitas ao cemitério mais intensas, com a festa das Almas do Purgatório, chamada “Jubileu das Almas”, em que as pessoas em cada Paróquia são chamadas à conversão, através do sacramento da Penitência celebrado em todas as igrejas paroquiais, o ofício solene de laudes ou vésperas cantado pelos sacerdotes, os emotivos sermões das Almas do Purgatório, o despertar cedinho do dia 2, Comemoração dos Fiéis Defuntos, em que as celebrações eucarísticas começam antes do raiar do sol…

Nas Paróquias a que Cristo me chamou a ser Pároco, assim como em tantas e tantas outras, há uma profunda vivência deste mês, com imenso dinamismo promovido pela piedade e devoções católicas e pela solidariedade e comunhão entre os seus habitantes.

Deve haver sempre o cuidado e sensibilidades pastorais para que os actos organizados e apoiados pelos católicos não ofendam algumas sensibilidades: o fantasma que possa “vaguear” pelas ruas pode ser visto como a alma do pai de alguém que já morreu… o morto vivo que anda a pedir “doçura ou travessura”, vivendo uma tradição que não é nossa, pode ser vista como sendo a mãe falecida que vagueia por aí… as “alminhas” são pessoas santas que, após a morte, se preparam para entrarem na vida plena do Céu, pelo que, na minha óptica, não fica bem usar as “alminhas” para festas ou sustos e gritos de meia-noite!

Noutras alturas do ano, como no carnaval, por exemplo, as mesmas máscaras podem não ter o impacto que têm nesta altura! Sei que interessa ao comércio, pois esta é uma época “baixa” para as trocas comerciais, mas nem tudo está à venda! O que é sagrado para nós não se vende por preço nenhum! Esta é uma quadra de serenidade e paz que as pessoas procuram para si e (para quem professa a fé católica) para os que partiram à nossa frente.

Comungo perfeitamente da distinção entre o civil e o religioso, mas os “civis” são “religiosos” e é em nome da sensibilidade católica que me pronuncio.

a} Paróco das Paróquias de Arga de São João, Arga de Cima, Arga de Baixo, Azevedo e Venade, Arciprestado de Caminha, Diocese de Viana do Castelo.

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