23º Dia Mundial da Vida Consagrada

Semana do_Consagrado_2019No próximo dia 02 de Fevereiro, festa da Apresentação do Senhor, celebra-se em toda a Igreja o 23º Dia Mundial da Vida Consagrada. Em Portugal e desde 2007, os nossos Bispos decidiram instituir a Semana do Consagrado, de 26 de Janeiro a 02 de Fevereiro, ampliando assim esta intenção ao longo de vários dias.

Ser consagrado pertence à condição batismal de todos os fiéis. Mas sem se distanciar desta essência, o magistério da Igreja habituou-nos a incluir na designação «vida consagrada» todos os que fazem votos dos conselhos evangélicos de pobreza, castidade e obediência, os membros das ordens e congregações, dos institutos religiosos, das sociedades de vida apostólica e dos institutos seculares.

A propósito do sentido do Dia ou da Semana da Vida Consagrada, vale a pena recordar os três objetivos que São João Paulo II nos deixou em 1997, primeiro ano da sua celebração.

Em primeiro lugar, «responder à íntima necessidade de louvar o Senhor e agradecer-Lhe o grande dom da vida consagrada, que enriquece e alegra a Comunidade cristã com a multiplicidade dos seus carismas e com os frutos de edificação de tantas existências, totalmente doadas à causa do Reino». Trata-se de um singular dom do Espírito que continua a animar e sustentar a Igreja na sua exigente caminhada no mundo, que só pode ser de presença efetiva entre os homens e as mulheres do nosso tempo.

Em segundo lugar, «promover o conhecimento e a estima pela vida consagrada, por parte de todo o povo de Deus». Esta forma de vida está ao serviço da consagração batismal de todos os fiéis e deve ser mais conhecida por todos os membros do povo de Deus.

Finalmente, convida de modo mais explícito as pessoas consagradas a «celebrar em conjunto e solenemente as maravilhas que o Senhor realizou nelas, para descobrir, com um olhar de fé mais lúcido, os raios da divina beleza difundidos pelo Espírito no seu género de vida, e tomar consciência mais viva da sua insubstituível missão na Igreja e no mundo».

Celebrar a Semana do Consagrado é uma oportuna graça para renovar esta forma de existência cristã como consagrados na Igreja: tempo precioso para oração, reflexão e compromisso. Construir «comunidades santas e missionárias”, tema proposto para esta Semana, é um desafio para todos consagrados e comunidades cristãs, um convite a se renovarem na santidade e na missão. Missão que é de sempre e para todos, com mais insistência neste Ano Missionário em Portugal, a culminar em Outubro, Mês Missionário extraordinário para toda a Igreja.

Além de outras propostas de oração, meditação e reflexão, e de celebrações nas comunidades religiosas e Paróquias, a Semana do Consagrado tem duas celebrações habituais em todas as Dioceses: a Vigília de Oração a 01 de Fevereiro e a Missa Solene da Apresentação do Senhor a 02 de Fevereiro.

Além de outras propostas de oração e reflexão aqui apresentadas, destaca-se a mensagem de D. António Augusto de Oliveira Azevedo, Presidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios, para esta Semana do Consagrado.

Padre Manuel Barbosa
Secretário da Conferência Episcopal Portuguesa

SEMANA DO CONSAGRADO | 2019

MENSAGEM DO PRESIDENTE DA COMISSÃO EPISCOPAL DAS VOCAÇÕES E MINISTÉRIOS

Na Semana do Consagrado de 2019 ecoa uma palavra do recente Sínodo dos Bispos sobre Os jovens, a fé e o discernimento vocacional: «O dom da vida consagrada, na sua forma, quer contemplativa quer ativa, que o Espírito Santo suscita na Igreja, tem um particular valor profético porquanto é testemunho alegre da gratuidade do amor. Quando as comunidades e as novas fundações vivem autenticamente a fraternidade, elas tornam-se escolas de comunhão, centros de oração e contemplação, lugares de testemunho, de diálogo intercultural e intergeracional e espaços para a evangelização e a caridade». Este n.º 88 do Documento Final do Sínodo conclui reconhecendo que «a Igreja e o mundo não podem passar sem este dom vocacional, que constitui um grande recurso para o nosso tempo». A vida consagrada é um recurso valioso, um tesouro, que urge redescobrir, revalorizar e renovar. Uma das suas facetas mais belas e significativas é a sua expressão comunitária.

O desejo manifestado pelos jovens na preparação do Sínodo e o seu forte apelo para que as comunidades cristãs sejam mais autênticas e fraternas dirige-se não só às paróquias, mas a todo o tipo de comunidade cristã, das comunidades de vida religiosa às novas comunidades, grupos e movimentos. Só em comunidades verdadeiramente fraternas, acolhedoras, alegres, orantes, brilham aquela frescura e novidade evangélicas capazes de atrair as novas gerações.

A insistência na dimensão comunitária é pertinente por razões culturais, contrariando o ar deste tempo que sopra um excessivo individualismo, autossuficiente e autorreferencial, mas é necessária sobretudo por razões teológicas, sublinhando que a lógica comunitária é intrínseca a toda a vida cristã e particularmente à vida consagrada.

A vivência comunitária é antes de mais caminho de mútua santificação. Fazer parte de uma comunidade religiosa, caminhar com os irmãos e irmãs na mesma fé, rezar e celebrar juntos a eucaristia constituem meios preciosos para ajudar cada um e cada uma a crescer em santidade. Na partilha do quotidiano, no cuidado permanente de uns pelos outros, com humildade, paciência e caridade esse processo de santificação se confirma e evolui.

A comunidade é santa e promove a santificação dos seus membros na medida em que é lugar onde se experimenta a presença do Ressuscitado. Por isso a renovação da vida consagrada no nosso tempo, em termos pessoais e comunitários, terá o seu ponto de apoio na paixão por Jesus Cristo. Viver a fundo esta paixão enamorada, numa entrega radical ao serviço de Deus e da humanidade, permitirá a cada consagrado ou consagrada e a cada comunidade ser aquela profecia de que o mundo precisa

Uma comunidade reunida em volta de Cristo e animada pelo seu Espírito, lugar em que se vive autenticamente o sentido da unidade e da comunhão, é uma comunidade que descobre a sua missão, que vê reforçado o seu dinamismo missionário. Não fica fechada ou indiferente ao mundo, estagnada nos seus processos ou instalada naquilo que já foi alcançado; antes é protagonista de uma Igreja em saída até às periferias do mundo. Ao longo da história do cristianismo, as várias formas de vida consagrada foram inovadoras e pioneiras nas respostas às necessidades de evangelização em cada época, atendendo a cada contexto social e cultural. Que este Ano Missionário que estamos a viver na Igreja em Portugal «se torne uma ocasião de graça, intensa e fecunda, de modo a que desperte o entusiasmo missionário» (Nota Pastoral da CEP, Todos, tudo e sempre em missão).

Nesta semana, somos convidados a partilhar da afeição e admiração do Papa Francisco pelos consagrados e consagradas, manifestada numa entrevista recentemente publicada: «Refiro-me àqueles padres, religiosos e irmãos que estão ali, a trabalhar, metidos em determinada periferia, mesmo que seja no meio da cidade. Aquelas pessoas consagradas que não têm pretensões, que não fazem barulho, mas que trabalham sem dar importância a si próprias. Os que fazem a teologia da vida consagrada, vivendo-a, rezando-a. São aquelas pessoas que têm como que uma humildade essencial: são trabalhadoras e tomam muito a sério a sua vida de consagração, quer no ensino, quer nas paróquias, nos hospitais, nas missões ou em qualquer lugar onde estiverem a trabalhar ao serviço dos demais. São realmente pessoas que se esfolam, sem olhar para si próprias. Dão tudo às mãos cheias» (Papa Francisco, A força da vocação, Ed. Paulinas, 21).

Convido cada cristão e cada comunidade a rezar de forma mais intensa pelos nossos irmãos e irmãs consagrados e consagradas, dando graças a Deus pela fidelidade da sua doação e pedindo-Lhe que a todos confirme numa vida santa e renove em ardor missionário. Tenhamos presente, como modelo de comunidade santa e missionária, a dos monges trapistas de Tibhirine (Argélia), sequestrados e mortos em 1996 e beatificados no passado dia 8 de dezembro. Que o seu testemunho sirva de inspiração e a sua intercessão seja fonte de bênçãos de Deus para todos os consagrados e consagradas.

+ António Augusto de Oliveira Azevedo,
Presidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios
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