Nota de pesar pela morte de Benjamim Pereira

Graca FonsecaA Ministra da Cultura, Graça Fonseca, lamenta profundamente a morte do antropólogo, etnólogo, museólogo e professor Benjamim Pereira (1928-2019), figura tutelar da antropologia em Portugal, sendo o seu percurso profissional indissociável da autonomia desta disciplina científica no nosso país.  

Natural de Montedor, Carreço (Viana do Castelo), integrou em 1959 os quadros do Centro de Estudos de Etnologia Peninsular, estrutura que constituiu, desde meados dos anos 1940, o primeiro polo verdadeiramente dedicado à investigação antropológica em Portugal e que, sob coordenação de António Jorge Dias, integrou uma notável equipa de investigadores como Margot Dias, Fernando Galhano ou Ernesto Veiga de Oliveira. A partir de 1969, o seu percurso ficou também ligado ao Centro de Estudos de Antropologia Cultural, criado em 1962. Benjamim Pereira participou ativamente no trabalho destes dois centros, com recolha de materiais, escrita de artigos, registos fotográfico e de vídeo.  

Este trabalho, quer a título individual, quer em conjunto com os demais colaboradores do Centro de Estudos de Etnologia e do Centro de Antropologia Cultural e Social, foi fundamental para o nascimento do Museu Nacional de Etnologia, no qual Benjamim Pereira, foi, até à sua aposentação em 1990, responsável pela conceção, execução e montagem de todas as exposições realizadas, tendo publicado inúmero artigos e livros da especialidade. Até 2002 continuou ainda a colaborar na montagem e conceção gráfica de exposições realizadas no Museu de Etnologia, sendo o responsável pela organização das reservas deste museu dedicadas ao mundo rural português, que viriam a ser abertas ao público sob a designação de “Galerias do Mundo Rural”.  

Na área da museologia cumpre, igualmente, destacar a sua cooperação com a Rede Portuguesa de Museus, tendo trabalhado na avaliação e consultoria a várias instituições e museus locais e regionais e, com este trabalho, contribuído para a dinamização desta referência de qualidade, de profissionalismo e de rigor na prática museológica.  

A Cultura portuguesa deve-lhe um inestimável trabalho de dedicação à investigação, ao estudo e ao trabalho de campo, difundindo e ampliando o conhecimento da Antropologia e da nossa identidade, ao longo de mais de sessenta anos.  

À Família e Amigos enviam-se sentidas condolências.  

Graça Fonseca
2 de janeiro, 2020
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