Mensagem Quaresmal do Administrador Diocesano

Monsenhor SebastiaoCaríssimos Diocesanas e Diocesanos,

1. Na Mensagem de Quaresma que o Santo Padre dirigiu à Igreja Católica e a todas as pessoas de “Boa Vontade”, o Papa Francisco convidou-nos a «subir a Jerusalém...». As Palavras que usa, são do próprio Jesus e dirigidas aos Seus discípulos: «Vamos subir a Jerusalém» (Mt 20,18). Com elas, Jesus chamou os Seus discípulos a acompanhá-Lo à cidade santa de Jerusalém. Enquanto caminhavam, aproveitou a ocasião para, pela terceira vez, lhes falar, com todo o realismo e verdade, da Sua missão messiânica — «o Filho do Homem vai ser entregue aos sumos-sacerdotes e aos escribas, que O condenarão à morte e O entregarão aos pagãos para O escarnecerem, açoitarem e crucificarem. Mas Ele ressuscitará ao terceiro dia» (Mc 20,18b-19).

2. Iniciar a nossa Quaresma, neste contexto bíblico, é proporcionar a cada um de nós a interiorização de uma realidade que se identifica com o que há de mais sagrado na Fé Cristã. É assumir e abraçar o Mistério Pascal de Cristo: Paixão, Morte e Ressurreição. Em linguagem tantas vezes repetida pelo nosso sempre presente D. Anacleto de Oliveira, é o «dar-Se», o «entregar-Se» todo, a todos e por todos, isto é, por toda a Humanidade. É um convite a vivermos o tempo da Quaresma numa total e tendente conversão a Cristo, para que, como Ele fez, o façamos nós também. Nele, por Ele e com Ele, nos nossos irmãos, sobretudo em favor dos mais frágeis.

3. Em consequência, a nossa Quaresma deve ser um tempo de inquietação, de vigilância e subida ao deserto (silêncio) onde se escuta e melhor se guarda a Palavra de Deus e, por ela, se moldam, pela ação do Espírito Santo, os nossos comportamentos, através de uma penitência que lhe está inerente e nos encaminha à cidade de Jerusalém, para uma conversão e plena identificação com Jesus Cristo. Tarefa árdua, sem dúvida, mas desafiante. Esta deverá ser a nossa Quaresma.

4. Quaresma é, pois, um tempo sagrado de preparação para a Páscoa. A metodologia é simples (salvaguardadas sempre as regras sanitárias): reflexão cristã sobre a Palavra de Deus; renovação espiritual da nossa vida, prenúncio de uma vida nova desejada e afirmada; revitalização da graça original/santificante dos sacramentos do Batismo e da Confirmação, através do sacramento da Reconciliação. Então, em ambiente de festa interior (exterior, se possível), acontecerá Páscoa, com Eucaristia presencial ou virtual e, respetivamente, com a Comunhão Eucarística, física ou espiritual, a fim de que, revestidos da graça Pascal, todos possam testemunhar, pelo seu ‘ser’ e pelo seu ‘agir’, que o Crucificado e Morto em Jerusalém está vivo. Ressuscitou verdadeiramente.

5. A partir daí a nossa Quaresma tornar-se-á, para nós e para os nossos irmãos, um tempo de acolhimento e de comunhão, de intimidade e de renovação de alianças, com Deus e com os Irmãos, conhecidos ou não, da mesma ou de diferentes etnias, trabalhadores ou empresários, pobres ou ricos, sós ou esquecidos. Com uma Páscoa solidária, irão, tendencialmente, diminuindo as desigualdades sociais e os desequilíbrios económicos abismais, com a atenção na indecorosa pobreza e nos sem abrigo. A Quaresma, sendo tempo de comunhão, também é, tem de ser, tempo de partilha de bens. Em consequência, na nossa Diocese, com a cooperação de todos, partilharemos a nossa «Renúncia quaresmal» com os nossos Irmãos da Diocese de Pemba, em Moçambique. As ofertas deverão ser entregues nas Paróquias e na Cúria Diocesana.

6. Estamos há um ano envolvidos pela pandemia COVID-19. Foi um ano, a nível mundial, de quebra de direitos, de empregos, de salários, de medo, de sofrimento e de mortes. Os confinamentos às liberdades democráticas assumidos pela maior parte da população ajudaram os governantes a não deixarem ‘afundar o barco’. A Igreja, como Mãe e Mestra, esteve sempre presente e ativa, mesmo com os templos, ciclicamente, fechados ou semi-abertos, ao culto presencial. Esta Igreja diocesana de Viana do Castelo tem testemunhado a sua proximidade junto dos doentes, dos mais frágeis e necessitados, através das Cáritas Diocesana e Paroquiais, dos Centros Sociais Paroquiais, com seus Lares, bem como com as Santas Casas da Misericórdia e outras Instituições afins, como as Conferências Vicentinas, e também com a logística. É o seu dever. Fê-lo em comunhão com o seu Fundador, Jesus Cristo.

7. Depois de ter abordado o tema da COVID-19 e suas variantes, não posso deixar de, com duas palavras e seu profundo sentido, testemunhar o meu APREÇO e dirigir uma SAUDAÇÃO ao Corpo Clínico e de Enfermagem, Técnicos, Autoridades Públicas de intervenção, neste ónus, Cruz Vermelha Portuguesa, Bombeiros, Guarda Nacional Republicana, Polícia de Segurança Pública, Comunicação Social, e, por fim, ao nosso bom povo que, respeitando as regras sanitárias e de distanciamento, amenizaram os abruptos ‘picos’ dos gráficos que, diariamente, as várias redes de comunicação social nos iam apresentando e, com eles, ajudando a moderar os possíveis abusos.

8. A todos os Diocesanos, sadios e doentes (Sacerdotes, Religiosas e Religiosos, Seminaristas, Leigos que trabalham nos Serviços Centrais da Diocese, Leigos que, como Agentes Pastorais, se dedicam às variadas áreas de Apostolado diocesano e ao Povo Santo de Deus) desejo uma confinada e Santa Quaresma que nos conduza a uma saudável e Santa Páscoa.

Monsenhor Sebastião Pires Ferreira

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