Até parecia que o Natal era tudo menos Tu!

Natal 20201. Neste tempo especial, que possamos – finalmente – viver o Teu Natal, Jesus. Porque há sempre uma oportunidade em cada adversidade, talvez tenha chegado o momento de perceber – de uma vez para sempre – que não há Natal sem Ti, Senhor!

2. Os últimos anos encontraram-nos alheados, desencontrados, «confinados» no nosso «eu» in transcendente. Até parecia que o Natal era tudo menos Tu.

3. No afã de multiplicar compras e de coleccionar prendas, este era sobretudo um tempo de correria. É verdade que raramente faltou o presépio. Que, por esta altura, é o quadro que nos oferece maior candura. Mas é um facto que mal tínhamos tempo para contemplar e orar diante daquele mistério de espanto, que nos enternece de encanto.

4. Eis, porém, que, de repente, os nossos «Natais apressados» foram brutalmente travados. Uma pandemia irrompeu e uma tremenda viragem a nossa vida sofreu. Porque o perigo circula em todos os lados, abundam recomendações para evitar aglomerados.

5. É quase certo que, para muitos, este será o «Natal do silêncio», o «Natal da solidão», o «Natal do isolamento», quiçá o «Natal do abandono». Enfim, será um Natal regado com lágrimas e afogado em mágoas.

6. Contudo, não deixará de haver Natal. Não vamos apagar as luzes que cintilam cá fora. Mas procuremos olhar mais para a Luz que Deus acende a partir de dentro. Não vamos deixar que a pandemia nos aparte da mais genuína alegria.

7. É provável que não possamos ir para onde queremos nem tão-pouco estar com todos a quem tanto queremos. Mesmo assim, não deixemos de viver – nem de saborear – o Natal com fé, esperança e paz.

8. No meio deste estendal de morte – e de luto –, é reconfortante repensar a vida a partir do nascimento. No fundo, estamos sempre a nascer: desde a hora em que chegamos a este mundo até ao instante em que partimos para a eternidade.

9. Deixemos mudar a vida por Aquele que nos dá a vida. «Vistamo-nos» de amor e não tiremos os olhos de Jesus. Este pode ser o melhor – e, quem sabe, o primeiro – Natal, um Natal inteiro, que se prolongue para lá de Janeiro. Mesmo que não tenha – nem dê – presentes, valorize o dom de cada presença. Este «Natal despojado» será certamente um Natal por Jesus autenticado.

10. Não esqueçamos que celebramos o «Menino que nasceu, o Filho que nos foi dado» (Is 9, 6). Este não será um Natal triste, apesar de tanta tristeza. Deixe-se «contagiar» pela paz de Belém. E como os pastores e os magos – procure estar com Jesus também!

João António Pinheiro Teixeira,
In DM 02.12.2020
AddThis Social Bookmark Button