A solução da crise - por Nuno Serras Pereira

Creio que se estranhará o título deste texto fundamentalmente por duas razões. A primeira, consistirá na peremptoriedade daquele artigo inicial A, como se não houvera uma gama alargada de possibilidades alternativas para a resolução da mesma; a segunda, advirá de o autor deste escrito ser um sacerdote, sem qualquer outra qualificação, a não ser a de franciscano, supondo-se assim incompetente para tratar daquilo que parece ser próprio dos fiéis leigos.

Convirá, no entanto, atender a que, sem merecimento algum da minha parte e, num certo sentido, mesmo contra a minha vontade, fui constituído por Deus Criador e Redentor, pelo Sacramento da Ordem, Seu embaixador. Ora, Deus, autor de tudo quanto existe, em virtude da Sua Omnisciência tudo conhece e tudo sabe, e em virtude da Sua Providência acompanha e conduz o universo e a história. Ao fazer-Se um de nós, nascendo da Imaculada sempre Virgem Maria, Redimindo-nos do pecado e da morte pela Sua Paixão e Ressurreição, e tornando-nos participantes dessa Sua vitória pelo Espírito que nos comunica, em íntima união com a Sua Igreja, capacita-nos para vencer todo o mal pessoal, social, cultural, económico, político.

Ele próprio, quando passou aqui na terra fazendo o Bem e curando todos os que eram oprimidos pelo demónio, nos disse com toda a clareza qual a solução da crise: “Procurai antes de tudo o Reino de Deus e a Sua Justiça e o resto ser-vos-á dado como acréscimo” (Mt 6, 33; Lc 12, 31).

O Reino de Deus, ou o Reino dos Céus, é o próprio Jesus Cristo; e a Sua Justiça é a Sua verdade, o Seu Amor, a Sua vontade. Sem Ele, de facto, toda a erudição é ignorância, toda a sabedoria é estultícia, toda a competência é ineptidão, toda a experiência é trapalhice, todo o progresso é regressão, toda a economia é trafulhice, toda a política é ardilosa e salteadora, toda a lucidez é inépcia, toda a prudência é doidice, todo o enriquecer é empobrecer, toda a democracia é tirania, toda a lei é violência, toda a justiça é iniquidade, todo o amor é egoísmo, toda a fecundidade é esterilidade e crueldade.

Que isto é assim é facilmente verificável se tivermos em conta as últimas décadas. Fomos avisando insistentemente da tragédia. Muitos nos deram por obsessivos… Pois bendita seja esta obsessão!, digo eu.

Quem se afasta de Deus, quem renega a Jesus Cristo, produz para si e para os outros um inferno antecipado na terra, uma sombra ténue do verdadeiro Inferno.

É tempo de nos convertermos.

À Honra e Glória de Jesus Cristo. Ámen.

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